Foto: Agnese Schifino/Divulgação PMPA

Uma feira de humanidades - Portal Meu Bairro



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Publicado em 7 de julho de 2015 | Por Nilo Cabral

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Uma feira de humanidades

Foto: Agnese Schifino/Divulgação PMPA

Certa vez, uma aluna, acho que era uma aluna, faz muito tempo, apresentou uma monografia sobre o Brique da Redenção na qual apontava que o mais interessante não era exatamente o de ser uma feira de artesanato e mercado de pulgas (um local onde diversos vendedores se reúnem para comercializar bens antigos, usados e outras mercadorias, inclusive de fabricação artesanal.), era sim o fato de se integrar a múltiplas tribos, a grupos e individualidades que poderiam (podem) expressar talentos, ideias (políticas ou não), e por aí afora.

O Brique é um espaço e um tempo (já que ele só se expressa como tal nos domingos, aos sábados, o local, Avenida José Bonifácio, junto ao Parque da Redenção cede espaço à Feira de Ecológicos) que se caracteriza por permitir algumas liberdades, as expressões artísticas (musical, teatral, plástica, literária, performática), as expressões políticas (como ocorre em tempos de eleições), as expressões de grupos (como os defensores dos direitos dos animais), as religiosas (saudade dos Krishnas, que por ali transitavam com maior frequência.).

O Brique revela, também, a exclusão, que nos surpreende com um morador de rua a pedir esmolas, ou de indígenas que se apresentam em canções originais, a fim de coletar uns trocadinhos ou que comercializam  artesanatos, há séculos igualmente trançados em cestos e outros objetos. Conheci dois briques similares, um em Curitiba e outro em Belo Horizente, o breve prazo em que os visitei impediu de verificar detalhes, portanto ainda prefiro o daqui. Mas acredito que as cidades podem criar seus espaços e tempos de convívio para muito além das tecnologias, lugares como as antigas praças. Por que tão especiais? Tecnologia alguma supera as sensações provocadas por odores, cores, formas, personagens artísticos ou não, o gosto de um pastel, de um salgado, de um algodão doce, um abraço forte, um beijo, a harmonia de um músico, a repentina intervenção de um grupo religioso ou político. O que é realmente é marcante no Brique é a possibilidade de a diversidade, até a mais provinciana, ali se expresse.

Este curto amor ao brique veio-me por inspiração de uma prima que expressou no Facebook a saudade que sente dos passeios na feira mais famosa de Porto alegre.


Sobre o autor

é Jornalista - PUCRS/87. Repórter, assessor de imprensa. Atuou como professor universitário, de 1995 a 2006. Realiza vídeos para empresas e assessora a comunicação da equipe Onlybyskate.



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