O extremo sul da Zona Sul está sendo povoado por condomínios de lu..." /> Ponta do Arado - MB Notícias


Jacqueline Custódio

Publicado em 6 de fevereiro de 2014 | Por Jacqueline Custodio

Ponta do Arado

O extremo sul da Zona Sul está sendo povoado por condomínios de luxo. Já está por lá o Terraville 1 e, em planejamento e construção, o segundo condomínio homônimo. Recentemente, ouvi falar de outro empreendimento (Dahma). É uma propriedade particular de 400 hectares, que inclui a Ponta do Arado, no bairro Belém Novo, e que abriga um sítio guarani pré-histórico valioso, além de ser uma importante área de preservação ambiental.

Pelo tamanho do empreendimento, foi exigido um Estudo de Impacto Ambiental, apontando as possíveis consequências ecológicas, através de laudos técnicos e estudos especializados, propondo medidas mitigatórias e de fiscalização. Tudo isso é apresentado através de um relatório, que deve ser claro e acessível à comunidade e deve estar disponível à consulta de qualquer pessoa. Também é obrigação realizar uma audiência pública, para que os interessados saibam como será o projeto, os impactos esperados e para que se manifestem a respeito daquilo que tiverem dúvidas. A característica desta audiência é ser meramente informativa. Isso significa que não há poder de decisão.

De qualquer forma, tal audiência ocorreu na semana passada (30/01), num período em que muitas pessoas tiram férias e abaixo de chuva. Alguns moradores do local dizem que o empreendimento, além de ser numa área importantíssima para a preservação ambiental, faz parte da cultura do bairro Belém Novo. Questionam o acesso à orla do Guaíba, principalmente pelo fato de que o local apresenta balneabilidade, devendo, portanto, ser garantido o trânsito da população.

Por outro lado, representantes da comunidade, que participaram do processo de liberação do projeto, dizem que muitas contrapartidas estão sendo negociadas e que o empreendimento se pretende sustentável, tendo sido observados todos os procedimentos legais. Mas a questão é: A Zona Sul, dia após dia, vem perdendo as características que a fazem tão especial para a cidade. Está se perdendo a área rural, em que há produção de hortifrutigranjeiros, pela ganância imobiliária aliada à falta de planejamento da administração pública, para deixar apenas na conta de um problema crônico, perpetuado ao longo de muitas gestões municipais.

Infelizmente, a população se encontra em desvantagem, sempre correndo atrás do prejuízo: ou fica sabendo depois dos fatos acontecidos ou não consegue se fazer ouvir, nem mesmo nos fóruns que necessitam da legitimação de sua participação. O próximo passo é estudar com o Ministério Público quais são realmente os impactos ambientais e culturais deste empreendimento e o que é possível exigir de contrapartidas para amenizar tais impactos. O resultado da devastação de nosso verde já está sendo sentido (literalmente) em nossa pele.


Sobre o autor

formada em medicina e em artes plásticas pela UFRGS, mas agora, advogada, apostando no "escritório do bairro" Gonsales & Custódio. Exercitando escrita, cidadania e boas amizades, tem um blog chamado "Chega de demolir Porto Alegre", que denuncia os atentados contra o patrimônio afetivo da cidade e a devastação das construtoras na memória urbana. Em luta pela implantação Centro Cultural Zona Sul, mantém uma FanPage com essa ideia, além de participar em movimentos que tenham como objetivo a preservação do meio ambiente e patrimônio cultural de nossa cidade.



Volta para o início ↑