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Meio Ambiente

Publicado em 29 de maio de 2012 | Por Redação Meu Bairro

Moradores pedem controle da construção civil na Zona Sul

Reunião na Cecopam. Crédito: www.portoalegre.cc

A cidade está crescendo e se desenvolvendo, mas a que custo? É essa a pergunta do movimento “Sim a Zona Rural em Porto Alegre”. Preocupados com o aumento do número de construções residenciais, eles pedem que os agricultores recebam apoio para continuar com suas atividades na Zona Sul, dando assim mais espaço para zonas verdes.

Cínthia Bordini, uma das participantes do movimento, lembra que grande parte desses empreendimentos está sendo construída em locais onde antes existiam árvores e animais. “Os moradores da Zona Sul da Capital tem vivenciado o desastre ambiental que os empreendimentos imobiliários sem planejamento tem nos causado e que ainda poderão causar”, explica. Cínthia, que mora no Bairro Vila Nova, acredita também que há uma falta de preocupação da Prefeitura para com a situação. Ela lembra que, com a destruição desses espaços onde antes existiam árvores, os animais ficaram sem ter para onde ir. “A nossa primeira preocupação é com a devastação de enormes áreas de flora nativa e da fauna. Esses espaços ficaram desabrigados. Para onde irão os animais como os gambás, porcos-espinhos, inúmeras aves e cobras?”.

A preocupação do grupo de moradores não é só ambiental, mas também com relação à infraestrutura da região. Para o movimento, a Zona Sul tem recebido um número cada vez maior de moradores, mas os investimentos na sua infraestrutura não estão crescendo na mesma proporção. “Ainda passamos a ter problemas de trânsito, com engarrafamentos e a consequente perda de tempo para os deslocamentos, que antes eram mais rápidos”, salienta Cínthia, que ainda lembra que o transporte coletivo também passa por problemas de superlotação, já que o número de linhas, segundo ela, não aumentou tanto quanto o número de usuários.

Confira outros trechos do relato de Cínthia Bordini.

Retorno para a cidade

A prefeitura tinha que se preocupar em pedir maiores retornos à Capital por parte dessas empresas. Aí nos perguntamos: o que esses empreendimentos, na maioria com valores de financiamento nada populares, estão oferecendo em contrapartida a região? Quais as compensações? Onde está a mitigação? Nós, moradores, nem somos consultados sobre o impacto disso tudo. E o que é mais importante: nenhuma preocupação dos órgãos públicos sobre a sustentabilidade desses empreendimentos que passam a gerar altos custos aos cidadãos. Afinal, a manutenção das ruas, calçamentos, sinalização de trânsito, coleta de lixo, policiamento, vagas nas escolas, nas creches e nas unidades de saúde passam a ter maior demanda e a prescindir de maior orçamento público, que já é escasso. Todos esses temas permeiam nossas discussões.

Reunião

Desde a 1ª reunião, em abril deste ano, através do PortoAlegre.cc , já nos reunimos duas vezes em maio, sempre na CECOPAM, que tem gentilmente cumprindo seu papel público de nos oportunizar espaço para as discussões. Então, é uma mobilização recente, mas que está mantendo uma boa frequência de encontros. Afora as reuniões, vamos trocando ideias pela internet, pois as distâncias na Zona Sul são tão grandes quanto os seus atuais problemas.

Ponto de vista

Penso que é muito bom encontrar pessoas que pensam e sentem os problemas ambientais e sociais da mesma forma que a gente. O melhor é que, assim como nós, essas pessoas também querem contribuir para uma mudança positiva na cidade em que vivemos. Dessa forma temos oportunidades de encontrar cidadãos atuantes e outros que já estão numa caminhada estruturada através de ONGs criadas a partir da vivência e conscientização desse caos habitacional estabelecido. Afinal, a união faz a força e a consequente transformação do espaço social. Embora não seja fácil ir de encontro a um sistema que não nos serve mais, mas que está fortemente enraizado na sociedade “insustentável” que criamos o desafio nos une e nos fortalece em prol de um bem comum, onde a máxima “várias cabeças pensam melhor do que uma” prevalece.

Sensibilizar o Poder Público

Sensibilizar as esferas públicas como a Prefeitura e Câmara de Vereadores não é simples, pois os entraves burocráticos são enormes. E nós, cidadãos-ambientalistas, temos que achar tempo em nossas agendas lotadas pelo cotidiano: trabalho, família e atividades domésticas. Vamos aos poucos ocupando nosso espaço nas instâncias já existentes como as reuniões do Orçamento Participativo, reuniões de condomínios e associação de moradores, fóruns de debate sobre o tema, audiências públicas quando acontecem, reivindicação de audiências junto a Governança e em espaços de opinião em veículos de comunicação. Todas as oportunidades que colaboram na divulgação da causa são momentos para sensibilizarmos o Governo eleito pela maioria dos cidadãos. Mas, somente quando a discussão é ampliada por inúmeras vozes é que de fato passa a sensibilizar o Poder Público. Pois, quando tomamos consciência e mostramos nosso potencial de consumidor e eleitor percebemos onde reside nossa força para combater o poder financeiro das construtoras. Neste sentido, temos usado a internet para divulgar a causa e conscientizar mais gente, criamos um abaixo-assinado http://www.peticaopublica.com.br/PeticaoVer.aspx?pi=SIMZNRUR  e o nosso próximo passo é realizar ações práticas em diferentes pontos da cidade.

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Sobre o autor

é composta por por cinco profissionais de comunicação. Formados em jornalismo e relações públicas, produzem matérias referentes a zona Sul de Porto Alegre e também de interesse desse público. Contato com a editora, Letícia Mellos. Jornalista formada pela Unijuí - RS



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