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Rafael Anício

Publicado em 5 de março de 2015 | Por Rafael Anicio

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Todo carnaval tem seu fim

O carnaval acabou e, num clima de ressaca, quaresma e reflexão, os economistas lamentaram, mesmo aqueles que não gostam muito de folia. Uma parte crescente do povo, tal como indicam as últimas pesquisas sobre a popularidade de governadores e da presidente da república, ficou ressentida ao perceber que a realidade não é tão bonita quanto os carros alegóricos que passaram pela avenida. Em 2014, economistas que, em detrimento do exercício da profissão, preferiram se dedicar ao proselitismo político durante as eleições, não têm muito a dizer neste momento. O debate econômico parece abafado por uma série de dados negativos sobre o desempenho da economia brasileira.

Segundo dados do Banco Central, a economia brasileira diminuiu 0,15% em 2014. O déficit nominal nas contas públicas foi um dos maiores do mundo, atingindo 6,7% do Produto Interno Bruto (PIB). As expectativas são de que a inflação cresça, tal como já está ocorrendo. A indústria brasileira enfrenta um de seus momentos mais críticos nas últimas décadas. O rombo nas transações correntes com o exterior ultrapassou a cifra de 90 bilhões de dólares. Em comparação com 5,14% do PIB gasto com juros em 2013, no ano passado, 6% da renda gerada pela economia brasileira (um volume de recursos maior do que o alocado na área da educação) foi para o bolso de detentores de títulos públicos.

Ainda pior que o dinheiro que vai para os vulgos rentistas, temos os corruptos da Petrobrás, que, ao destruir a credibilidade da maior empresa brasileira, comprometeram ainda mais o cenário de investimento no país. Brasileiros e brasileiras, independentemente em quem tenham votado nas eleições do ano passado, estão sem muitos motivos para celebrar o seu país em crise. Eu, particularmente, só tenho experimentado um pouco de esperança (ainda que melancólica) quando o nível do volume morto do Sistema Cantareira, ao qual os jornalistas passaram a dedicar atenção quase diária, sobe alguns décimos.

Nesses momentos difíceis, a necessidade de liderança se faz ainda maior. Enquanto isso, o governo conta as moedas e se apóia cada vez mais na figura do Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, para tentar tapar algum buraco que seja, dependendo inclusive da sua participação em negociações diretas com o PMDB a fim de que possam aprovar medidas necessárias ao ajuste fiscal. O aumento de impostos associado ao corte de gastos públicos foi uma alternativa amaldiçoada, por ter a capacidade de afetar negativamente o nível de emprego e a vida dos brasileiros, mas finalmente escolhida pelo governo do Partido dos Trabalhadores.


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