fbpx


Giancarlo Giacomelli

Publicado em 14 de outubro de 2015 | Por Giancarlo Giacomelli

0

Um verão sem churrasco

A alta no dólar não é problema só para quem quer ir para Disney

Nem da 10% da população entende direito a dinâmica do câmbio. E boa parte daqueles que pretensamente dizem entender defendem asneiras que os colocam mais distantes do real entendimento do que os que assumem sua ignorância a respeito.

A cotação do dólar é um preço e, assim como todos os outros preços, é estabelecido com base na demanda e oferta, ainda que estas sejam amplamente manipuladas pelo Banco Central. Assim, quando a oferta de dólares fica escassa no país – menos dólares na praça – o preço do dólar, sua cotação, sobe. E o oposto é válido, com mais moeda estrangeira no mercado, a cotação da moeda americana cai.

O dólar entra, majoritariamente, via investimentos e, nos últimos 10 anos, tivemos muitos investimentos externos, por vários motivos. Por exemplo, após o 11 de Setembro, os EUA sofreram com a imprevisibilidade, ninguém sabia se poderiam ocorrer novos atentados ou quanto as guerras no Iraque e Afeganistão custariam, assim, os americanos buscaram minimizar seus riscos, investindo em diferentes países.

O Brasil, que havia recebido grau de investimentos, tinha a Petrobras com o pré-sal e parecia se tornar decente, tornou-se um bom lugar… Veio muita grana para cá. Além disso, a criação de moeda – inflação – ainda estava sob controle, ou seja, a quantidade de reais na economia tinha uma relação favorável com a quantidade de dólares. Tudo isso mudou. O governo, para cobrir seus custos, passou a criar reais do nada, assim, a oferta de nossa moeda, em relação ao dólar, tornou-se mais abundante, mais oferta, menor preço, o real se desvalorizou.

Essa bagunça contribuiu para a perda do Investiment Grade, sem ele, fundos sérios já não poderiam mais investir aqui, mais dólar saindo. E para fechar a conta, a “Petro” se mostrou uma monstruosa trapaça que fez os gringos saírem fora dessa cilada. O dólar ficou escasso e sua cotação foi para as alturas. Com o dólar a R$3,50, R$ 4,00 ou R$ 6,00, fica muito mais caro importar, então, medicamentos, roupas, sapatos e até o pão – nosso trigo é importado – ficarão ainda mais caros. Já para os outros países, com essa cotação fica muito barato comprar do Brasil, quem exporta se dá bem. Boa parte da carne e do arroz que era vendida aqui acaba sendo exportada, isso faz o preço disparar no mercado interno. É, amigo, se estava achando o churrasco caro, vai piorar.


Sobre o autor

Capitalista até os ossos. Politicamente um libertário. Contra todas as formas de intervenção do governo na vida das pessoas. Acredita no comércio como o grande símbolo da cooperação social e do que há de melhor na humanidade. Fã de Ludwig von Mises, Ayn Rand e Nelson Rodrigues. Em suma, um reaça, 'coxinha', neo-liberal, que aceita orgulhoso toda ofensa que venha da esquerda e acha a ideia de patriotismo uma piada que faz adultos parecerem crianças brincando de Forte Apache.



Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Volta para o início ↑