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Giancarlo Giacomelli

Publicado em 23 de janeiro de 2014 | Por Giancarlo Giacomelli

Um celular pode lhe fazer mais feliz

Jean Jacques Rousseau é o tataravô do que conhecemos atualmente como hippie de boutique, ele foi um dos maiores nomes do que seria conhecido como o Romantismo Francês, movimento que tinha um olhar lamentável sobre a vida em sociedade e que produz reflexos até hoje. Rousseau é o autor do “Contrato Social” uma baboseira ideológica que basicamente dizia que todo homem ao nascer tem responsabilidade para com os outros homens, não sendo o senhor de sua própria vida. Um engodo teórico totalmente em contradição com a própria vida de Rousseau, gigôlo de uma senhora rica de Paris com quem teve cincos filhos, todos entregues a orfanatos, pois Rousseau preferia ‘flânar’ pelas ruas de Paris.

O romantismo de Rousseau atacava a sociedade da época, seus recentes avanços e suas responsabilidades, e considerava como ideal de vida o encontro com a natureza, a simbiose entre homem e mato. Para eles os índios (que mal sobreviviam aos mosquitos, não tinham analgésicos e quaisquer parcos avanços científicos, vivendo à mercê da natureza e da sorte) eram mais felizes que os parisienses, ocupados com seus trabalhos, filhos, responsabilidades e festas. Uma idiotice que merecia ter ficado no século XVIII. Mas não ficou.

Esse olhar que considera todo avanço da sociedade como um passo a caminho da infelicidade segue firme e forte mesmo em tempos de Iphones, esfihas e aparelhos de ar-condicionado. Recentemente me deparei com esse trecho de um livro do professor Clóvis de Barros Filho:

“Nossa sociedade nos propõe o consumo de muitas coisas. Por intermédio deste consumo, uma nova identidade e posição. Quase todas são artificiais e, portanto, não necessárias. E, assim, teremos mais posses, mais coisas de que nos vangloriar, mas continuaremos tristes. Ou você realmente acha que sua vida será mais feliz com um novo celular?”

Seria leviano atacar o professor Clóvis por um único parágrafo. A minha crítica é referente a esta citação e tudo que ela representa na nossa sociedade, ademais, é uma tradição dos filósofos, excetuando-se Adam Smith, não entenderem nada de economia e do impacto que as relações econômicas tem na formação moral do homem.

Mas sim, sua vida pode ser mais feliz com um celular novo. Um celular é um milagre da genialidade humana, um instrumento magnífico que há menos de 30 anos custava mais de US$ 50 mil dólares e hoje está na casa de qualquer miserável que pode usá-lo para ligar para o Samu, bombeiros ou seja lá quem ele quiser.

Nossos celulares são equipamentos mágicos que nos permitem ler livros e blogs enquanto estamos no ônibus ou numa sala de espera, permitem tirar fotos e registrar momentos significativos e felizes da nossa vida, sem falar do GPS e da sua função principal, falar com outras pessoas onde quer que estejamos.

Então, sim, um celular pode lhe fazer muito feliz. Entender a magia envolvida em tudo que é necessário para que você acesse o Facebook do seu celular e critique a sociedade de consumo é parte fundamental do que lhe faria mais feliz por fazer parte deste momento e lutar com unhas e dentes para que os homens não parem de querer ganhar dinheiro tornando a vida dos outros mais fácil.

Não nos damos conta do milagre em que vivemos. Do quão mais seguro e confortável é o mundo do que há 100 atrás, e não percebemos a magia envolvida nas relações de mercado, de quão complexas são elas, da intrincada rede de transações voluntárias existentepara que você possa assistir um seriado gravado nos Estados Unidos no sofá da sua sala, com uma televisão de tela plana montada em Manaus com componentes feitos na China e Hong Kong, pedir uma pizza pela internet e pagar com um cartão de débito. Nunca tivemos tantos motivos para ser felizes.

Porém a felicidade é uma sensação. É algo interno. Ayn Rand diz que:

“A felicidade é o estado de sucesso da vida. É aquele estado de consciência que decorre da realização dos valores que se tem.”

E explica: A felicidade não se atinge por meio de caprichos emocionais. Ela não é a satisfação de todo e qualquer desejo irracional que vocês tentem satisfazer às cegas. Felicidade é um estado de alegria não contraditória – uma alegria sem castigo nem culpa, que não entra em conflito com nenhum de seus valores e não contribui para sua própria destruição -, não o prazer proporcionado pela fuga da sua consciência, e sim pela utilização plena dessa consciência; não o prazer de falsear a realidade, e sim o de atingir valores reais; não o prazer de um bêbado, e sim o de um produtor consciente.”

Essa é uma das melhores definições de felicidade que eu já encontrei. Um estado de alegria não contraditória. Felicidade é quando fazemos aquilo que sabemos ser certo, quando fazemos algo por nós. E sim, se você fizer aquilo que acha certo, de acordo com seus valores e com os seus esforços tiver frutos, você pode querer com esses frutos comprar um celular novo. E esse celular novo deve lhe fazer mais feliz porque é a celebração do seu trabalho e da genialidade humana em seu estado pleno.

Agora, se você não possui valores próprios, ou pior, os possui e não os pratica, é infeliz com a sua rotina e não faz suas próprias escolhas, nem um celular, uma Lamborghini ou uma boa noite de sexo conseguirá lhe trazer alguma fagulha de felicidade.


Sobre o autor

Capitalista até os ossos. Politicamente um libertário. Contra todas as formas de intervenção do governo na vida das pessoas. Acredita no comércio como o grande símbolo da cooperação social e do que há de melhor na humanidade. Fã de Ludwig von Mises, Ayn Rand e Nelson Rodrigues. Em suma, um reaça, 'coxinha', neo-liberal, que aceita orgulhoso toda ofensa que venha da esquerda e acha a ideia de patriotismo uma piada que faz adultos parecerem crianças brincando de Forte Apache.



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