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Giancarlo Giacomelli

Publicado em 7 de fevereiro de 2014 | Por Giancarlo Giacomelli

Súditos – Uma homenagem ao Fórum Social Temático

Um ditado popular diz que o maior truque do diabo foi o de convencer ao mundo que ele não existia. Por alguns motivos eu gosto dessa frase e ela se aplica a alguns demônios do nosso dia-a-dia.

Um dos melhores exemplos disso é o ranço socialista.

O socialismo e sua variável mais cruel, o comunismo, matou muito mais que o regime nazista, e enquanto ficaríamos estarrecidos com o surgimento de um partido com o nome de Partido Nazista Brasileiro, não nos incomodamos nem um pouco com o Partido Comunista Brasileiro (PCdoB), Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU), Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), entre outras aberrações da política brasileira.

Estima-se que 65 milhões de chineses tenham sido mortos pelo regime comunista na celebrada Revolução Cultural Chinesa, destes, pelo menos 18 milhões mortos de fome, em um genocídio 3 vezes superior ao acometido por Hitler sobre os judeus, e mesmo assim você ainda cruza com alguns jovens com o rosto de Mao estampado em suas camisetas.

Na extinta União Soviética pelo menos 20 milhões de pessoas foram mortas em nome do regime, e ela ainda detêm um dos casos mais emblemáticos de toda história, o Holodomor, como ficou conhecida a grande fome no inverno entre 1932 e 1933 na Ucrânia, quando a população teve toda sua produção de grãos saqueada pelo governo soviético e remetida para exportação condenando cerca de 7 milhões de Ucranianos a fome.

Com um toque de sadismo, o governo soviético determinou em forma de lei que qualquer pessoa que alimentasse ucranianos que estivessem em busca de comida seria condenado a morte. A consequência foi inúmeros cadáveres espalhados pelas cidades vizinhas, as imagens não estarrecedoras. E mesmo assim Lênin e Stalin ainda são cultuados no ocidente. Che matou 40 vezes mais pessoas enquanto parte do governo do que quando ‘guerrilheiro’ e é uma unanimidade entre os participantes do Fórum Social Temático, uma piada organizada pela CUT.

Poderia dedicar um livro inteiro relatando atrocidades de socialistas e comunistas, o que já foi feito.  Porém não é esse o objetivo.

O interessante aqui é perceber que mesmo diante destas atrocidades ainda vemos milhares de jovens cheios das melhores intenções assumindo bandeiras socialistas. Não só isso. O pensamento dominante do pseudo-intelectual brasileiro de 35 a 55 anos é fundamentalmente socialista. Você pode testá-lo. Confrontado com os números e a realidade ele primeiro dirá que é mentira, ou quando admitir logo virá a frase “o socialismo de verdade nunca foi implantado”.

Porque a nossa resistência em aceitar a verdade? Qual a grande dificuldade em perceber que qualquer política que parta do uso da força é imoral e perigosa?

Assim como o truque do diabo, o socialismo também convenceu o mundo de que havia sido enterrado junto ao muro de Berlim. Mas nem de longe isto é verdade.

O ranço contra a liberdade e o desenvolvimento econômico segue firme e forte.

Esta semana Vladimir Safatle publicou uma coluna onde dizia que “o conceito moderno de desenvolvimento precisa valorizar o menos, e não o mais” Vladimir é professor de Filosofia da USP, e foi exaltado na sua coluna na Carta Capital. Isso não é surpresa, porém, ver figuras como Denis Russo Burgierman, diretor de redação da Super Interessante, uma revista que seria dedicada a ciência, inovação e tecnologia, criticando a sociedade de mercado, ou como o próprio refere “modelo industrial de escala”, é um sinal alarmante.

O mundo é bão Sebastião. Vivemos numa era sem precedentes, claro que ainda temos muito a evoluir, mas o caminho é com mais liberdade e não o contrário.

Mais liberdade significa mais liberdade de empreender. Precisa ser mais fácil abrir um negócio.

Mais liberdade significa não ser roubado pelo governo. É inadmissível que um empresário tenha metade do seu lucro roubado pelo estado.

Mais liberdade significa não admitir que o governo se envolva na vida do indivíduo. É inaceitável pensar que o governo pode legislar sobre a sexualidade de um indivíduo, dizer com quem alguém pode ou não casar, ou ainda, sobre que substâncias ele pode ingerir e comprar.

Mises dizia há quase 100 anos que nós não havíamos nos livrado do hábito de sermos súditos. E ele tinha completa razão, basta comparecer a um evento público e notar a ansiedade das pessoas em idolatrar políticos sem expressão, ou notar o orgulho de algumas pessoas ao contar que conhecem determinada figura pública. E este aspecto, ainda que ridículo, não é o pior. O ponto que precisamos ultrapassar é o seguinte:

“Serão necessários muitos anos de autoeducação até que o súdito possa transformar-se em cidadão. Um homem livre deve ser capaz de suportar que seu concidadão aja e viva de modo diferente de sua própria concepção de vida. Precisa livrar-se do hábito de chamar a polícia, quando algo não lhe agrada.”[1]

Esse ‘suportar que seu concidadão aja e viva de modo diferente de sua própria concepção de vida’ pode ser traduzido como: cuide de sua vida. Esse é o primeiro passo. Precisamos parar com o ranço de clamar para que o governo tome propriedade alheia, imponha salários acima do mercado, dite as regras sobre quem e como os trabalhadores devem ser contratados, o Brasil tem hoje mais de 100 mil leis em vigor, definitivamente mais leis não irão ajudar em nada.

É importante que respeitemos a liberdade. Que valorizemos o mérito, acabando com o ranço que temos contra aqueles que são bem sucedidos.

O pilar da liberdade econômica é a não agressão. Ninguém pode iniciar uma ação coerciva contra outra pessoa ou suas poses exceto em sua defesa. Qualquer idiotice que comece com desapropriações, manifestações de violência, gritos de ordem, a privação do direito de ir e vir de outras pessoas, não passa disso, uma idiotice, que só deve ser levada a sério pelo caráter perigoso que a idiotice em massa pode adquirir.



[1] Liberalismo segundo a Tradição Clássica – 1927 – Ludwig vonMises.


Sobre o autor

Capitalista até os ossos. Politicamente um libertário. Contra todas as formas de intervenção do governo na vida das pessoas. Acredita no comércio como o grande símbolo da cooperação social e do que há de melhor na humanidade. Fã de Ludwig von Mises, Ayn Rand e Nelson Rodrigues. Em suma, um reaça, 'coxinha', neo-liberal, que aceita orgulhoso toda ofensa que venha da esquerda e acha a ideia de patriotismo uma piada que faz adultos parecerem crianças brincando de Forte Apache.



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