Comunidade Foto: Divulgação Atelier do Bonde

Publicado em 11 de julho de 2018 | por Juliana de Brites

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Atelier do Bonde elabora projeto de restauração de locomotiva

Fotos: Divulgação/Atelier do Bonde

Você sabia que na Zona Sul, no bairro Tristeza, existe um bonde americano? E um projeto cultural pede a sua restauração para receber uma programação artística e cultural. O objetivo é promover o resgate de uma parte importante da memória da cidade em um espaço aberto à visitação pública, com uma programação artística e cultural de cunho pedagógico, histórico e informativo.

Ângela Ponsi é uma das proprietárias do bonde e assina o projeto arquitetônico da restauração do veículo. Ela e a mãe, Zilka Ponsi, adquiriram o bonde para que ele não fosse vendido a um ferro-velho e restauraram o veículo. Na marinete, foi criado o Atelier do Bonde, que funcionou na Otto Niemeyer até 2016. Atualmente, o veículo está estacionado na Associação Recreativa, Cultural e Esportiva (Adesbam), às margens do rio Guaíba, onde pode receber visitação.

A restauração está sendo solicitada através da Lei Rouanet (Lei 8.313 de 1991, de Incentivo a Projetos Culturais). A análise do projeto vai levar até dois meses para aprovação, para então iniciar a captação de recursos e busca por patrocinador. “O projeto inclui a restauração do veículo e também a construção de uma cobertura acima do bonde e no entorno”, Ângela disse, em entrevista ao Portal Meu Bairro, e afirmou que a expectativa para aprovação do projeto é positiva.

O objetivo principal é a restauração e a preservação do bonde americano do tipo “Miami”, da década de 1940. O veículo tem 13 metros de comprimento, 2,2 metros de altura, 2,5 metros de largura, bitola de 1.435 e tara de 16.300 quilos. A marinete é originária da Empresa Carris de Transporte Coletivo de Porto Alegre.

Foto: Divulgação/Atelier do Bonde

Resgate da história
Os primeiros bondes a compor a paisagem de Porto Alegre chegaram em janeiro de 1873 e eram puxados por cavalos. Somente em 1908, a tração animal cedeu lugar à energia elétrica, atingindo seu apogeu nos anos 1950 e 1960, quando a Carris contava com uma frota de 200 carros norte-americanos, ingleses e belgas. Em 1929, chegaram os primeiros ônibus, e os bondes foram sendo, aos poucos, substituídos. No dia 8 de março de 1970, para desgosto da população, o então prefeito prefeito Thompson Flores decretou oficialmente o fim dos bondes. Naquela data, um último passe gratuito foi cedido à população para despedida.
Poucos modelos de bondes restam atualmente. Muitos foram desmontados e vendidos como sucata, e uma parte da história de Porto Alegre foi perdida. Sobreviveram apenas cinco bondes em Porto Alegre e, destes, apenas um mantém uma proposta cultural aberta à população.

Foto: Divulgação/Atelier do Bonde

As duas décadas do Atelier do Bonde

Para evitar que o bonde fosse desmontado e vendido a um ferro velho, Zilka e Ângela Ponsi adquiriram o veículo em 1998. Mãe e filha restauraram a locomotiva com recursos próprios e alugaram um terreno para abrigar o veículo amarelo-ocre. Por duas décadas, o bonde ficou na avenida Otto Niemeyer, 1173, onde foi construído o Atelier do Bonde, abrigando um acervo de obras de arte das proprietárias do ateliê e sediando eventos culturais.

A partir da sua inauguração, o Atelier do Bonde passou a promover atividades artísticas e culturais gratuitas abertas ao público, integrando artistas e artesãos, educadores e demais pessoas ligadas às artes e meio ambiente, com o apoio de órgãos públicos da Prefeitura Municipal de Porto Alegre. A Associação Histórica, Artística e Cultural do Atelier do Bonde (HACAB) foi fundada em 2010, após assembleia geral.

Em outubro de 2016, as proprietárias precisaram entregar o imóvel, que era alugado, e partiram em busca de transportadoras e de licenças para fazer o deslocamento do veículo. Em janeiro de 2017, o bonde foi transportado para para a Adesbam, situada no mesmo bairro. Após o transporte, foi assinado um Termo de Parceria Cultural entre o Atelier do Bonde e a Adesbam para promover eventos culturais e fomentar atividades artísticas com intuito de receber a comunidade e as escolas da Capital.

Há quase duas décadas, a relíquia amarelo-ocre encanta os moradores da Zona Sul de Porto Alegre, recebendo apelidos carinhosos como “Bonde da Otto” e “James Bonde”. A população mantém o interesse para que o bonde volte a sediar atividades culturais e abertas à população, mas, de acordo com as proprietárias do veículo, é necessária uma nova restauração para que isso aconteça.


Sobre @ colunista

é jornalista formada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).




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