Jorge Piqué: Ele quer limpar a orla do Guaíba - Portal Meu Bairro


Meio Ambiente

Publicado em maio 8th, 2012 | Por Redação Meu Bairro

Jorge Piqué: Ele quer limpar a orla do Guaíba

Uma cidade sem a participação direta dos cidadãos é uma cidade sem alma.  Em um momento em que todos se preocupam em divulgar nomes de políticos corruptos, fórmulas para acertar o voto em ano de eleição, ele vai além. Jorge Piquê acredita que, além da política, está na ação de todos a mudança, a construção de uma cidade melhor. Jorge está coordenando uma série de limpezas na Orla do Guaíba na Zona Sul. Para ele, participar dessas ações é quase um lazer.

MEU BAIRRO – Por que ajudar na organização desses eventos em prol do meio ambiente?

Jorge Piquê – Normalmente vou a eventos desse tipo mais como um simples participante. No início de abril fui convidado a participar de um evento criado pelo Tiago Aquines, Pedro Loss e Espiral Positiva, para limpar o trecho de orla em frente à Fundação Iberê Camargo. Como nas discussões no grupo Quero Cais, que administro no Facebook, sempre enfatizamos a retomada de toda a orla do Guaíba pela população, gostei muito da ideia, fui me envolvendo cada vez mais com a organização e finalmente passei a ser o quarto organizador.

No domingo, dia 22, fizemos a limpeza, com cerca de 60 a 70 pessoas e ajudar na organização foi muito  e compensador. Em razão disso, sugeri um novo evento no mesmo local, que será no sábado, dia 28 de abril, chamado de “Retomada da Prainha do Iberê”. Será um evento ecológico e cultural, com conversas sobre educação ambiental, historia do local, por onde passava o Trenzinho da Tristeza, ecociclismo e ativismo digital. Estamos divulgando e esperamos que os moradores da Zona Sul possam também participar. (http://www.facebook.com/events/277170855698888)

Portoalegrenses unidos para limpar a Orla do Guaíba.

Me interesso por questões ecológicas, especialmente se vinculadas a  outros aspectos, como urbanismo, história, artes, cultura. Ajudar na organização desses eventos significa dar uma pequena contribuição à melhoria da cidade de Porto Alegre. Uma cidade sem a participação direta dos cidadãos é uma cidade sem alma.

MEU BAIRRO – De quantas ações desse tipo tu já participasse e o que tu leva de cada um deles pra tua vida?
A primeira vez que organizei um evento de grandes proporções na verdade não tinha relação direta com meio-ambiente. Morava em Barcelona e com a escolha do Rio para sede dos Jogos Olímpicos organizei em dezembro de 2009 uma comemoração de rua ao longo do Port Vell, o antigo porto de Barcelona, com mais de 400 pessoas,  vestindo verde e a amarelo, levando bandeiras brasileiras, com batucada e capoeira. Foi emocionante organizar essa manifestação de alegria brasileira em pleno coração de Barcelona.

MEU BAIRRO – Muitas pessoas dizem não participar por falta de tempo. Como tu arranjas tempo?

Jorge Piquê – Participar não toma tempo. Participar de eventos desse tipo é quase uma forma de lazer, é algo divertido e animador, com a vantagem de se estar ajudando a cidade.

Organizar toma mais tempo realmente, são muitos detalhes que devem ser pensados, o conceito do evento, os seus
objetivos concretos, fazer contatos, além de todo o trabalho de divulgação, que é muito importante antes e também depois do evento, para atingir o objetivo de conscientizar as pessoas.
Procuro participar da organização de alguns eventos que tem mais relação com arte e cultura, focar em um evento específico, dedicar alguns dias à organização, e depois fazer uma pausa até um outro evento que me interesse tanto a ponto de participar na organização.

Assim as pessoas vão se revezando de certa forma na organização, sem precisar estar permanentemente organizando, mas apenas participando eventualmente.

 MEU BAIRRO – Como tu imaginas o Rio Guaíba e a cidade de Porto Alegre em cinco anos?

Jorge Piquê – Acho que entre 2014 e 2017 Porto Alegre vai sofrer uma grande transformação, e uma parte importante dessa mudança está diretamente relacionada com o Guaíba. Em 5 anos imaginamos uma ampliação do transporte hidroviário pelo Guaíba, a partir da primeira linha Porto Alegre-Guaíba, em funcionamento desde o ano passado. Finalmente, esperamos que em 2017 possamos colher os frutos do Projeto Integrado SócioAmbiental (PISA), um projeto de infraestrutura muito importante e que vai mudar a relação do portoalegrense com o Guaíba, proporcionado águas balneáveis novamente, mais próximas ao centro da cidade.

O Projeto de Revitalização da Orla, a partir da Usina do Gasômetro já apresentará resultados ainda este ano, qualificando aquele local, será o primeiro sinal visível da mudança. A própria Usina do Gasômetro passa a ter uma importância estratégica, como importante equipamento cultural diante do Guaíba, servindo como articulador dos dois projetos, Cais Mauá e Orla. A Usina precisa ser melhorada para cumprir o seu papel nesse novo cenário para os próximos anos.
Embora a Fase 1 da Revitalização da Orla vá apenas até um pouco antes do Arroio Dilúvio, acreditamos que o seu sucesso levará a qualificação de toda a sua extensão até 2017, atingindo a Fundação Iberê Camargo e o BarraShopping. Foi assinado recentemente  um marco conceitual para estudar melhorias no Arroio Dilúvio, envolvendo prefeituras de Porto Alegre e Viamão,  UFRGS e PUCRS. Esse projeto tem uma relação direta com o Guaíba, pois teremos de novo um riacho despoluído desaguando diretamente na área de revitalização da Orla, formando um T, conectando a orla do Guaíba com toda a extensão da Av. Ipiranga, e com ciclovias nos dois eixos. Esperamos ver em 2017 esses dois projetos em fase avançada, se conectando e se reforçando mutuamente.
Em 5 anos imaginamos um ampliação do transporte hidroviário pelo Guaíba, a partir da primeira linha Porto Alegre-Guaíba, em funcionamento desde o ano passado. Esperamos que em 2017 tenhamos uma linha até a Zona Sul, partindo do Cais Mauá e com estações hidroviárias no Beira-Rio, Fundação Iberê/BarraShopping, Ipanema, Lami
e Itapoã. Na outra margem, além de chegar à cidade de Guaíba, a linha poderia se extender até Barra do Ribeiro, que tem um grande potencial turístico. Nossas ações de limpeza e retomada da orla na área da Fundação Iberê estão alinhadas com a recuperação de toda essa extensão do Guaíba, até Itapoã, que antevemos.
Finalmente, esperamos que em 2017 possamos colher os frutos do Projeto Integrado SócioAmbiental (PISA), um projeto de infraestrutura muito importante e que vai mudar a relação do portoalegrense com o Guaíba, proporcionado águas balneáveis novamente, mais próximas ao centro da cidade.
Todos esses projetos foram iniciados recentemente e não estão assegurados, corremos o risco de atrasos ou inclusive de perder essas oportunidades. Somente com o apoio da população, que quer um Guaíba despoluído e com uma orla qualificada, o que significa também preservação do meio-ambiente, é que chegaremos em 2017 com essa grande transformação. É preciso acreditar na mudança para que ela aconteça.

MEU BAIRRO –  A falta de preservação do meio ambiente é o resultado da falta de ação do poder público ou da falta de consciência da população?

Jorge Piquê – Normalmente é uma combinação das duas. Existe uma boa consciência ecológica da população, mas ela tem que ser traduzida em atitudes, em ações. Frequentar mais os locais na orla do Guaíba já é uma boa atitude, já aumenta a conscientização. Não jogar lixo nos recipientes adequados é, na prática, jogá-lo indiretamente no Guaíba, pois é aí que ele vai parar. Se o poder público observa que a população leva a sério essa questão do lixo e do meio ambiente, certamente irá responder com mais ações da sua parte.

MEU BAIRRO – Tuas conclusões.
Jorge Piquê – Porto Alegre é conhecida mundialmente por seu Orçamento Participativo, uma grande conquista, que todos os governos tem a obrigação de manter. Mas podemos utilizar essa herança de mais de 20 anos para ir adiante. É importante um maior envolvimento da população com temas estratégicos.
A limpeza que fizemos na orla não significa que devemos substitituir o DMLU, fazendo o seu trabalho. É um ato simbólico, no qual o DMLU participou recolhendo a tonelada de lixo que coletamos em frente da sede da Fundação Iberê Camargo. É um exemplo de como cidadãos, governo local, organizações não-governamentais e empresas podem trabalhar em conjunto para beneficiar a cidade.
Na política tradicional se vota e se passa a exigir do governante a solução de todos os nossos problemas. Sem dúvida, devemos exigir sempre o máximo de eficiência de um governo eleito, mas isso não significa adotar uma atitude passiva. Uma nova atitude política, no bom sentido da palavra, é propor ao governo ações e participar nelas.
Independentemente do partido que está no poder, de forma provisória, é a cidade que deve estar em primeiro lugar.


Sobre o autor

é composta por por cinco profissionais de comunicação. Formados em jornalismo e relações públicas, produzem matérias referentes a zona Sul de Porto Alegre e também de interesse desse público. Contato com a editora, Letícia Mellos. Jornalista formada pela Unijuí - RS



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