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Rafael Anício

Publicado em fevereiro 19th, 2015 | Por Rafael Anicio

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O que um economista faz?

Essa é uma pergunta potencialmente fatal para o ego ou para a consciência de um sujeito que se propõe a investir seu potencial intelectual em uma atividade de resultados imprevisíveis. Eu, quando decidi optar pelo curso de economia, há quase uma década atrás, não tinha noção clara do significado que isso teria para mim. O ato de escolher a economia como disciplina para a vida foi a primeira demonstração de uma das principais ilusões dos meus colegas: o ser humano (não) é racional.

Quando terminei o curso, estava emocionado, escrevendo uma carta de agradecimentos a todos aqueles que me ajudaram durante os anos de juventude universitária. De súbito me dei conta da correlação entre aquele estado de espírito e a conclusão fundamental que eu tirei de todos aqueles anos de estudo. A racionalidade humana tem um alcance muito limitado. E não há nada de errado com isso. Os economistas erram o tempo todo, e sua fama deriva dessa propensão irrefreável à ilusão do saber.

Se os números não fossem escolhidos pelos homens (e mulheres), se os algarismos se unissem por si mesmos e refletissem sobre nossas necessidades materiais, nós talvez pudéssemos dizer que a economia é uma ciência exata. Finalmente, poderíamos confiar mais nos economistas. As teorias que esses homens e mulheres apresentam são parte da história, dividem espaço com a descoberta da agricultura, mas também com a invenção de armas de destruição em massa. As teorias econômicas são reflexos das nossas limitações e das nossas virtudes, espelhando desejos explícitos e outros escondidos, ligados ao nosso medo do sofrimento.

Durante os próximos meses, eu, um economista desconstruído, tentarei trazer pequenas crônicas e mini ensaios sobre o lado humano e sobre as diferentes interpretações da economia brasileira e mundial, seus atores, suas confidências e contradições… Os economistas são pessoas dedicadas a exercer a psicologia dos dados, mas não deixam de ser reféns de si mesmos. Por isso, é importante que o leitor siga o conselho do maior de todos os filósofos gregos. Sócrates disse e eu aqui gostaria de parafraseá-lo: Conheça-te a ti mesmo (e se possível conheça a economia e os economistas também).

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